Uma incoerência que precisava ser sanada para evitar o descrédito público do PFL. É o caso Roseana Sarney, daquela sigla partidária, mas que não apóia Geraldo Alckmin, pois está atada ao presidente Lula. Jorge Bornhausen, presidente da agremiação já tinha mandado o recado: ou fica e respeita a linha do partido, ou sai. Caso contrário, a comissão poderá sugerir a expulsão.
Definição
O que não pode é acender uma vela pra Deus e outra para o diabo. Independente de quem é quem nessa história... Agora, o assunto já tomou outros contornos. Roseana deve deixar o PFL e mudar de mala e cuia para o partido do papai Sarney, o PMDB, com o devido apoio de Renan Calheiros. Olhando assim, nada de mais. É a dança das cadeiras.
Jogo de poder
Mas, o curioso, nas entrelinhas, é o jogo de poder que embala os nossos figurões da República.
Na família Sarney, ele, José é senador pelo Amapá – reeleito para mais oito anos - pelo PMDB. A filha, Roseana, tenta agora, no segundo turno, se reeleger para um segundo mandato à frente do governo do Maranhão, até então, pelo PFL, de onde desembarca nos próximos dias. O que isso quer dizer?
Primeiro: o pai tem poder e manda no Amapá pela sigla do PMDB.
Segundo: a filha, manda no Maranhão, é governadora e pertence ao PFL, mas apoiou neste governo que se encerra o presidente Lula, que é PT, e esticou sua presença no partido pefelista até onde deu. Agora, segundo Bornhausen, não dá mais. Tem que optar.
Moral da história
Em uma só família o poder concentrado. Governo maranhense e Senado, pelo Amapá, e dois partidos de sustentação, em dois estados. É mole, o quer mais?
Vale lembrar: o Brasil está cheio desses casos. Como, há alguns anos, onde Antonio Carlos Magalhães era presidente do Congresso Nacional e seu filho, já falecido, Eduardo Magalhães era, nada menos do que presidente da Câmara dos Deputados. Ou seja: em apenas uma família a força do Poder das duas mais importantes casas legislativas do país!
Isso não é crime. Afinal, conquistaram esse poder pelo voto popular e democrático. Mas também não é bom para o país, pois concentra o poder na mão de poucas e poderosas famílias. O povo precisa aprender a votar. Isso, aliás, Edson Arantes do Nas imento - o Pelé - já dizia há mais de vinte anos e o povo parece que ainda não aprendeu.
Isso dá barulho.